04.12

16h

As múltiplas facetas da tradução na cena contemporânea

Com Alexandre Dal Farra e Guillaume Durieux | Mediação Beatriz Sayad

Esse painel reúne três artistas que se desdobram entre direção, atuação, escritura e tradução. Guillaume Durieux ator e diretor francês montou recentemente a peça Abnegação de Alexandre Del Farra em Paris. Alexandre é também o tradutor da peça Eu carreguei meu pai sobre meus ombros do autor francês Fabrice Melquiot, e a mediadora Beatriz Sayad, além de atriz e diretora, traduziu Cachorro Morto na Lavanderia de Angelica Lidell, ambos pela Editora Cobogó.
Uma conversa sobre o conceito expandido de tradução que envolve não só o idioma mas também a ideia da transposição de um espetáculo para um contexto diverso do qual foi criado.

Guillaume Durieux

Guillaume Durieux nasceu em 1975 em Lille, no norte da França. Estudou na Escola Nacional de Teatro de Estrasburgo, é ator, diretor, autor e professor. Como intérprete, trabalha desde 2001 com diversos diretores franceses. Foi diretor do Groupe Incognito, um coletivo de artistas francês. Escreveu e dirigiu dois espetáculo para o Théâtre Dromesko, que foram apresentados em toda a França. É professor de teatro do Cours Florent (Paris). Em 2020 estreou a obra Abnégation, de Alexandre Dal Farra, no Théâtre Monfort, em Paris. Conheceu Dal Farra no Summer Monsoon, Festival Internacional de Escrita Contemporânea, em 2018.

Eu carreguei meu pai sobre os ombros

Livremente inspirada em vários cantos da Eneida, de Virgílio, “Eu carreguei meu pai sobre meus ombros” narra, à maneira de uma epopeia, a trajetória de Roch, um homem pobre que acaba de descobrir que está com câncer e a quem só resta um mês de vida. Estamos em novembro de 2015, na madrugada dos atentados ao Bataclan, em um bairro da periferia de Saint-Étienne, em Paris. É quando Roch dá a notícia a seu ­ lho, Énée, a sua namorada, Anissa, e a seu amigo de toda a vida, Grinch, dizendo ainda que gostaria de viajar a ­ m de morrer em uma região distante, ou por ele desconhecida, negando-se a começar um inútil e sofrido tratamento por quimioterapia. A fábula, ao mesmo tempo cômica e desesperada, traça de maneira comovente a jornada de um quase moribundo rumo a um lugar imaginário. Mais que da morte em si, a peça fala de amizade e humanidade ou, ainda, segundo as palavras do autor, “de aceitação da vida, plena desta energia inerente ao desespero”.

Sobre o autor Fabrice Melquiot (Modane, 1972) ganhou o Prix Théâtre da Academia Francesa em 2008. É um dos autores mais profícuos de sua geração: escreveu mais de cinquenta peças, todas publicadas pela editora Arche. Traduzidos em várias línguas, seus textos são muito encenados na França e em países como Alemanha, Grécia, México, Estados Unidos, Chile, Espanha, Itália, Japão, Canadá e Rússia. Sabendo captar sobretudo as aspirações da juventude e da adolescência, sua escrita é um canto de amor pela alteridade, no qual as descobertas se impõem com força e energia. Desde 2012, é diretor do Théâtre Am Stram Gram Genève – Centre International de Création et de Ressources pour l’Enfance et la Jeunesse. Entre suas peças mais notáveis estão Le diable en partage, Marcia Hesse, Page en construction e 399 secondes.

Tradução Alexandre Dal Farra.

Alexandre Dal Farra

É dramaturgo, diretor e escritor. Indicados e vencedores nos principais prêmios brasileiros, seus textos foram apresentados em todas as regiões do país e também no exterior, sob sua direção, assim como em parceria com outros diretores. Dentre as 19 peças de sua autoria, Trilogia Abnegação (2014-16) foi publicada em 2017 pela Javali e Abnegação 1 saiu no mesmo ano pela editora francesa Les Solitaires Intempestifs. É doutorando em artes cênicas na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e em 2013 publicou o romance Manual da destruição pela Hedra.

Cachorro morto na lavanderia: os fortes

Na peça “Cachorro morto na lavanderia: os fortes”, a premiada dramaturga Angélica Liddell ressuscita o gênero apocalíptico da política-ficção em um texto que nos permite refletir sobre as experiências totalitárias e é capaz de entrever as catástrofes rumo às quais o homem caminha. O texto, traduzido por Beatriz Sayad, tem em seu cerne um fragmento do Contrato Social, de Rousseau, e mergulha em discussões insólitas sobre a decadência — ou a catástrofe — das premissas sobre as quais se constroem o pensamento iluminista-ocidental: liberdade, igualdade, fraternidade, justiça e racionalidade.

Sobre a autora Angélica Liddell (Figueres, Girona, Espanha, 1966) é dramaturga, atriz e produtora. Em 1993, criou a companhia Atra Bilis Teatro. Recebeu diversos prêmios, entre eles o Prêmio SGAE de Teatro 2004 por Mi relación con la comida; o Prêmio Ojo Crítico Segundo Milenio 2005 pelo conjunto da obra; o Prêmio Notodo do público na categoria de melhor espetáculo de 2007 por Perro muerto en tintorería: los fuertes; o Prêmio Valle-Inclán 2008 por El año de Ricardo; e o Prêmio Sebastiá Gasch de Artes Parateatrales 2011. Suas obras foram traduzidas para francês, inglês, romeno, russo, alemão, polonês, grego e português, e suas últimas peças, El año de Ricardo,La casa de la fuerza, Maldito sea el hombre que confía en el hombre e Todo el cielo sobre la tierra (El síndrome de Wendy), foram montadas no Festival d’Avignon, no Wiener Festwochen e no Théâtre de l’Odeón de Paris. Em 2012, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura Dramática por Casa de la fuerza, e em 2013 ganhou o Leão de Prata da Bienal de Teatro de Veneza.

Tradução Beatriz Sayad.

Beatriz Sayad

Beatriz é autora, atriz, diretora e tradutora, formada em Letras pela PUC – Rio. Desde os 18 anos integra a companhia suíça Teatro Sunil (atual Cia Finzi Pasca), com a qual colabora até hoje.  No Brasil, atuou como palhaça em hospitais nos Doutores da Alegria e na Companhia Teatro Balagan, sob direção de Maria Thaís. Cursou, na França, a Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq. Desde 2010 volta a atuar na Compahia Finzi Pasca nos espetáculos Donka uma carta a Tchekhov (2010), La Veritá (2013) , Per Te (2016) em turnê por mais de 20 países. Traduziu, entre outros, O Teatro da Carícia, de Daniele Finzi Pasca (SESI); Cachorro Morto na Lavanderia, de Angelica Liddell (COBOGÓ). 

 

 

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